Dá pra imaginar o que estaria acontecendo se José Serra tivesse ganhado a eleição? O ambiente revisionista que estaria mobilizando a elite bandeirante? O novo conceito sobre o papel do estado que já estaria em discussão?
Serra dificilmente mexeria de cara nos principais projetos e programas de Lula, já consolidados e em curso pleno. Mas os métodos para tocá-los; estes sim já estariam sob um novo foco de discussões prévias. Em relação à riqueza do pré-sal, Serra, além de plantar na mídia versões sobre o novo viés exploratório enquanto não assumisse a presidência, provavelmente teria dado apoio abertamente à distribuição igualitária dos royalties do petróleo entre todos os estados e municípios brasileiros, só para se vingar do Rio de Janeiro.
Regionalmente, novas lideranças ganhariam espaço e influência na cena política nacional. Elas ficariam divididas entre Beto Richa no Paraná, Geraldo Alckmin em São Paulo e Aécio Neves em Minas. Só a citação aos três nomes, mais o do próprio Serra, já permite dimensionar como ficaria a elegante disputa no ninho tucano; superadas todas as dissensões da campanha.
E no Congresso: como Serra estaria construindo a maioria de que necessitaria para governar. Alas do PMDB certamente já estariam – como diria Brizola – costeando alambrado desde o resultado oficial da eleição. Há quem imagine até que Nelson Jobim estivesse cuidando pessoalmente do assunto nos bastidores, já que Michel Temer estaria com a liderança enfraquecida e o ministro não teria a concorrência de Orestes Quércia, que morreu.
E entre as novas lideranças peemedebistas, provavelmente despontaria em nível nacional o neo-tucano de bico vermelho, Luís Cláudio Romanelli; especialista em adesão de última hora. Certamente uma vantagem para o Paraná, que ainda teria Álvaro Dias como líder do governo.
Hoje, no dia da posse, vislumbro a cena: José Serra desfilando em carro aberto, com o entusiasmo das principais emissoras de televisão. Seguidos cortes de câmeras mostrariam Fernando Henrique ao lado de Ellen Gracie, exibindo sua humildade (a do ex-presidente é claro).
Tudo isso acompanhado nos lares de milhões de telespectadores. Imagino pais e filhos diante da TV neste feriado, enquanto a mulher da casa ajeita as coisas na cozinha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário