Quando fiz faculdade, o professor da disciplina de publicidade contava uma história, segundo a qual uma loja veiculou comercial com o seguinte apelo: “compre na loja tal e ganhe um carro”. O estabelecimento fazia campanha de vendas oferecendo um carro em sorteio entre os clientes. Um gaiato foi lá, comprou um bidê e na saída pediu para levar o carro. Só então foi esclarecido que se tratava de sorteio. O vivaldino entrou na justiça e a loja teve que dar um carro pro sujeito. O que vale é o que está anunciado. A legislação, contudo, deve ter mudado.
Nestes primeiros dias de 2011, pós euforia de compras, estamos em tempos de queima. Na cidade inteira se veem anúncios de liquidação. Os índices de descontos chegam a 70%. A mídia, entusiasmada com o seu papel de estímulo à circulação, reproduz o otimismo entre consumidores. É uma festa.
Agora: descontos nestas proporções são tão críveis quanto o pagamento em dez vezes sem juros. Francamente, isso é um insulto à inteligência de qualquer matemático. Se é possível dar um desconto que varia de 50% a 70%, os preços normais provavelmente têm margens que beiram à usura.
Me engana que eu gosto!

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