“Um rapaz que estudou com Wellington na escola, durante três anos, disse que só ouviu a voz dele uma vez e que, da última vez que o viu, durante uma madrugada, ele estava sentado na calçada olhando fixamente para a escola”.
A frase é de Fátima Bernardes ao encerrar o Jornal Nacional de 7 de abril, dia em que um louco entrou numa escola do bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, e matou doze crianças. A fonte (o rapaz) não é identificada; a madrugada não pôde ser precisada pela suposta fonte. O repertório da apresentadora, pretensamente dramático e baseada numa versão que carece de compromisso com a informação, é a síntese de uma conduta jornalística que “ilumina” personagens tortos. A versão alimenta o imaginário do telespectador e constrói o enredo de um espetáculo triste. Não é de se estranhar que outros Wellingtons queiram virar notícia futuramente, com tamanhas projeções irresponsáveis.
A espetacularização tupiniquim da notícia faz parte de um processo vulgar de dominação periférica em que a mídia local está metida e que fica ainda mais visível e lamentável quando resolve fazer política rasteira ao integrar o PIG.
Pra quem tem saco e tempo, vai aqui o acesso a um vídeo (dividido em nove partes) que analisa, a partir de uma leitura marxista, a sociedade do espetáculo. O caminho para o vídeo passa por uma ótima breve análise. Eu estou atrás do livro que deu origem ao filme.

