quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cenografia e informação


Lá vem a Folha e o Estadão de novo. Os dois parece que fazem reunião de pauta em conjunto. Todo mundo sabe que a conquista da casa própria é fundamental na vida de qualquer um. Pelo menos quase todo mundo têm noção da importância disso. Pois os dois jornalões não deram um único registro sequer na capa sobre o alcance da meta de 1 milhão de casas contratadas no Programa Minha Casa, Minha Vida, anunciado ontem na Bahia pelo presidente Lula. Preferiram destacar no miolo do jornal frase secundária de Lula sobre a crise norte-americana. É para fazer esse tipo de filtro da informação que a grande mídia defende tanto a liberdade de impressa, que imagina ameaçada?

Quando tinha seis anos de idade meu pai ganhou uma televisão numa rifa. O equipamento era super moderno; tinha até visor que indicava o número do canal sintonizado. Eu vibrava com a novidade, que substituiria a TV que já existia na casa alugada onde morávamos. Quando me preparava para tirar do velho Springer Admiral a tela plástica colorida, que se colocava na frente do tubo de imagens para quebrar a monotonia das imagens em preto e branco, e pregar no Phillips novinho em folha, a aparelho sumiu. Meu pai vendou para, com o dinheiro, dar entrada na casa própria, financiando o restante pelo BNH, como fizeram muitos brasileiros e outros milhões, bem mais carentes, que tanto necessitam. Fez o que faz o povo sabiamente: aproveitou a chance que teve. Se usasse o mesmo discernimento da Folha ou do Estadão para escolher o que é mais importante, talvez meus filhos tivessem para herdar do avô um televisor velho.

O Jornal Nacional de ontem deu nas manchetes a meta alcançada, mas julgou importante destacar que apenas um quarto das casas foi construído. Pô! Só no Projac se constroem casas de um dia para o outro.

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